terça-feira, 19 de maio de 2009

A despedida


Na verdade, como esse, pelo menos no começo, é um Blog flashback, eu não preciso esperar os fatos acontecerem para postá-los aqui. Essa primeira etapa terá de ser narrada, para que eu não esqueça nenhum detalhe! Para isso, na minha empolgação inicial (fiquei até 01h da noite escrevendo o primeiro post ontem! E acordei hoje às 07:30! vixe!), fiz uma lista de prováveis títulos de tópicos à serem escritos. Mas a primeira coisa que posso lembrar são as preparações e planos, meus e da Isabela. As idéias eram basicamente sobre onde, quando, como e com que grana iríamos viajar, e como essas idéias fervilhavam. De uma simples viagem pelo Nordeste, via mochilão e barraca, decidimos mudar de vez para uma cidade na Bahia. Como eu já disse, meu conhecimento por cidades brasileiras não é lá muito vasto, então minha "Gata-Noiva", lembrou de Itacaré. Sim, esse seria o nosso porto de entrada em uma vida tranquila e de frente pro mar! Se dali decidíssemos mudar já estaríamos no nordeste e aí seria um pulo para qualquer outro belo lugar. Começamos assim à pesquisar algumas coisas sobre a nossa futura cidade, mandamos e-mails, pedimos empregos e algumas dicas em um desses sites oficiais da cidade(http://www.itacare.com/). Descobrimos que Outubro era uma boa época de chegar na cidade, começo da alta temporada, empresas contratando, cidade enchendo, então, mais uma dúvida estava resolvida. Faltava descobrir como e com que grana, o resto era dar a "cara" e ver no que dava! "Como ir" foi o mais fácil, não seria uma aventura se não tivesse uma pequena, digamos rápida viagem de ônibus(24h cravadas!!). Vinha agora a segunda parte mais difícil; com que grana iríamos? É nessa hora em que a maioria dos planos vão por água abaixo. A Bela abriu uma poupança e começou a juntar sua graninha, eu.. putz, devia uma grana na faculdade após ter me formado, desse jeito, o salário que ganhava no hotel praticamente ia todo embora. O jeito que dei foi vender o meu único bem, minha Zangada! É isso mesmo, minha Brasília 77, branca, com tudo que tinha direito. Ela era linda, e era o meu primeiro carro. Demorei mas colei a plaquinha de vende-se no vidro da zangada. Não demorou muito e algum indivíduo logo se apaixonou por ela. Mas como eu tinha coragem de ver aquelas lanternas indo embora pelas costas, sabendo que não era eu a guiar a bichinha? Confesso que um sentimento de homem largado, trocado pela mulher amada, logo veio a minha cabeça e comecei a cantar um triste sertanejo. Pronto estava resolvido o problema do dinheiro. À partir daí as coisas aconteceram em uma velocidade incrível, os amigos prepararam uma festa de despedida(e que festa foi!), eu e Bela decidimos virar noivos, pedimos dispensa dos nossos trabalhos, compramos as últimas coisas pra nossa viagem, inclusive as passagens para a viagem. Se tivesse que colocar em escala as coisas que foram mais difíceis nessa empreitada diria que em primeiro lugar, com ampla diferença para o segundo, vem a despedida. Despedir dos amigos e da família não foi fácil. Como que eu poderia largar pessoas que não saíam do meu lado desde os meus 06, 07 anos? Como largaria a vida de filhinho de mamãe e me tornaria o homem da casa? Afinal, como seria minha vida de casal? Bom, difícil foi, mas nada como ter uma boa compania, uma doidinha, que teve as mesmas idéias doidas que eu e decidiu apostar as fichas na mesma aventura que a minha. Dia 18/10/2008, gravado na aliança, dia da despedida, dia do recomeço.

2 comentários:

  1. Fantástico o texto. É de arrepiar e como não emocionar?

    Amo vocês,

    Luiz Raphael

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  2. Meu Deus, que lindo. Fiquei emocionada também... tadinha da zangada... Eu também tenho um post sobre despedida da família (Sobre mães e filhas) e sei bem o que é isso de deixar tudo pra trás. Sei que ler esse texto me fez pensar no meu marido e de repente ver que ele também deve ter sentido um pouco disso tudo que você sentiu quando decidiu ser o homem da casa. Vou enchê-lo de beijos hoje!
    Prabéns Vinny. Guarde este blog para sempre! Teha orgulho das suas escolhas... os frutos estão a caminho!

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